Blog do PAULO MELO

terça-feira, 26 de março de 2013

Porque não querem GIM

Goste ou não do sorriso do senador Gim Argello (PTB), ele tem feito muito mais para o Distrito Federal em termos de captação de recursos do que toda a bancada de apoio ao governador Agnelo Queiroz (PT) na Câmara Legislativa. Some as emendas e obras que tiveram sua intervenção e compare. Vale o mandato. O problema do PT é que o apetite pelo poder tornou-se uma obsessão pois nunca tiveram tanta mordomia na vida como agora. Veja o custo de passagens e hospedagem nos hotéis mais caros da Europa pagos com cartões corporativos, não só os personagens do governo federal, mas sobretudo os do DF. Observe o roteiro de viagens dos petistas. Invariavelmente passam por lugares turísticos na tradicional “esticadinha”. Ninguém quer perder isso. Todos eles querem se aboletar no poder ad eternum, por isso, qualquer pretensão que vai contra este projeto será barrada.

Gim Argello nunca foi unha e cutícula com o PT, mas soube manter relações civilizadas, conquistando inclusive a estima da presidente Dilma Rousseff. Isso talvez seja o que mais dói no lulopetismo, principalmente a Cor­rente Cons­­trui­ndo um Novo Brasil, tendência pre­do­minante no governo de Agnelo Queiroz. Por estar refém deste grupo, o governador limita seus passos de negociação pragmaticamente, avançando e recuando. Não é por nada que ele se cercou mais dos amigos do que deste grupo. Só para recordar, os amigos de Agnelo foram os primeiros a negociar a mudança de sigla deixando o PCdoB pelo PT. O embaixador desta engenharia foi exatamente Chico Vigilante, ligadíssimo ao então presidente Lula, que imaginava um personagem novo para a disputa no DF. Este cidadão teria que ser de esquerda e acima de qualquer suspeita. Agnelo, a princípio sofreu resistência da cúpula nacional do petismo, mas acabou sendo ungindo. O resto da história, todos sabem.

Agora, para se manter no Palácio do Buriti Agnelo tem que ampliar ou, na pior das hipóteses, manter a atual configuração de alianças. É neste figurino que o senador Gim se enquadra. Ele busca a reeleição, mas os petistas querem também ter duas vagas majoritárias: governador e senador. Fala-se em nos nomes de Geraldo Magela e Chico Leite. Claro que é um jogo de se colar, colou. No fundo ambos querem é arrancar um compromisso de que terão apoio para disputar a Câmara Federal, tanto Chico Leite quanto Magela, por isso forçam a barra. O problema é o seguinte: se o senador se cansar deste jogo e arrastar o vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB), juntamente com o grupo do ex-governador Joaquim Roriz (sem partido) para uma outra chapa, adeus petismo no Buriti. A não ser que um milagre traga de volta Rollemberg e Cristovam para os braços de Agnelo.

Este cenário fomenta nos subterrâneos petistas a desconstrução do senador Gim, tentando afastá-lo de qualquer negociação com Agnelo. Esta turma sabe, ao contrário do que apregoa, que o senador é um homem perigoso e que não será derrotado facilmente nas urnas. “Esta história que eles espalham de que o senador não tem votos é uma balela. Basta circular por Tagua­tinga, Sama­mbaia, Recan­to das Emas, só para ficar nestas três cidades administrativas, para ver o quanto o senador é popular e reconhecido. Se isso não é ter voto...”, lembra um veterano marqueteiro que conhece Gim desde os tempos de deputado distrital. Este é o temor dos petistas e seus aliados.

Foi só o senador se aproximar de um possível acordo com Agnelo, para que as sombras se movimentassem emergindo com o processo que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), impetrado pelo PCdoB em 2006 pedindo a cassação de do então senador eleito Joaquim Roriz e seu suplente Gim Argello. “Não vejo como cassar o mandato de Gim por conta de um número usado na época pela Caesb (156), conclamando os consumidores a reclamarem sobre conta ou para solicitar algum serviço na estatal”, lembra o suplente de Gim, empresário Marcos de Almeida. Com a mesma confiança na justiça, Gim faz coro a ao colega.

Gim tem duas frentes de batalhas: montar uma equipe profissional e costurar alianças. A primeira, conforme o Jornal Opção apurou, já está quase concluída. A  segunda frente ele está em plena negociação. Detalhe: se os petistas esticarem muito a corda existe a possibilidade de um plano B que pode ser imediatamente gestado. Quem viver verá.

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